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31 agosto, 2013

Agradecimento eterno

Arimba de cauda ruiva, Galbula ruficauda

Quando a vida... Começava no mundo,
Os pássaros sofriam bastante.
Pousavam nas árvores
E sabiam voar, mas, como haviam de criar
Os filhotinhos?Isso era muito difícil.
Obrigados a deixar os ovos no chão,
Viam-se, quase sempre
Perseguidos e humilhados.
A chuva resfriava-os e os grandes animais,
Pisando neles, quebravam-nos
Sem compaixão. E as cobras?
Essas rastejam no solo, procurando-os...
Para devora-los na presença dos
Próprios pais, aterrados e trêmulos.
Conta-se que, por isso, as aves
se reuniram e rogaram ao Pai Celestial
Que lhes desse o socorro necessário.
Deus ouviu-as e enviou-lhes um anjo
Que passou a orientá-las na construção
Os pássaros não
Dispunham de mãos, entretanto,
o mensageiro inspirou-as a usar os
biquinhos e, mostrando-lhes os braços
amigos das árvores, ensinou-os a
transportar pequeninas migalhas

Da floresta, ajudando-os
A tecer os ninhos no alto
Os filhotinhos começaram a
Nascer sem aborrecimentos,e,
Quando vieram as tempestades,
Houve segurança geral.
Reconhecendo que o Pai Celeste
Havia respondido às suas orações,
as aves combinaram entre si cantar
Todos os dias, em louvor do
Santo Nome de Deus.
Por essa razão, há passarinhos que
se fazem ouvir pela manhã,
outros durante a o dia e outros,
ainda no transcurso da noite.
Quando encontrarmos uma ave
Cantando, lembremos pois,
Que do seu coraçãozinho
Coberto de penas, esta saindo
O eterno agradecimento que...
Deus está ouvindo nos Céus.
Chico Xavier - Pelo Espírito Meimei 

"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL:DIVULGUE O ESPIRITISMO."

29 agosto, 2013

Depressão e Desânimo

Deus permitiu a existência das quedas d'água para aprendermos quanta força de trabalho e renovação podemos extrair de nossas próprias quedas.
Os que se debatem nas águas temendo a morte rogam o socorro de quem lhes estenda as mãos; da mesma forma, os que se encarceram no desânimo, receando o desequilíbrio, para se livrarem dele precisam estender as mãos aos outros. Se te encontras de espírito ilhado na solidão, recorda que as portas da alma unicamente se abrem de dentro para fora.

EMMANUEL, médium Chico Xavier 
 "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

27 agosto, 2013

Prece pela Fraternidade



Senhor... mais um dia amanheceu em minha existência pelo qual eu agradeço, rogando para ele a sua bênção e a sua Luz...
Neste dia enfrentarei múltiplas situações, nas quais estarei em contato com irmãos de procedência distinta e cultura diversa, e nem sempre estaremos sintonizados na mesma forma de sentir e pensar...
 

Meus olhos fitarão companheiros dos mais variados aspectos físicos e degraus sociais, obrigando-me a tomar toda uma série de atitudes para comunicar-me satisfatoriamente com eles, ensejando a que o imperativo da fraternidade educada prevaleça acima de quaisquer parâmetros.
 

Por isso rogo, Pai, segura minha boca, estanca meu passo, fecha-me os olhos e encobre meus ouvidos se meu coração pulsar contrariamente à Tua Lei de Amor que ordena nos amemos e nos auxiliemos uns aos outros, indiferentemente de raça, cor, credo ou procedência.
 

Adverte-me no imo da consciência, Senhor, se eu me portar de maneira indigna para com meu semelhante, e chama-me a atenção para as falhas que eu ainda carrego comigo e as quais eu devo corrigir, antes de corrigir os outros...
 

Mostre-me com a força de Teu Amor a forma de como devo tratar o meu próximo, para que um dia, quando houveres por bem me provar, eu saiba testemunhar do que aprendi de Ti, no terreno da Fraternidade!
 

Ajuda-me a dosar serenidade, compreensão, sabedoria, paciência, tolerância e compaixão na medida certa, para que aquele que se aproximar de mim saiba, mesmo que eu nada diga ou nada faça, que acima de qualquer diferença ou dificuldade, eu sou o seu irmão!...

Assim seja!

 "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

22 agosto, 2013

A alegria dos outros

Um jovem, muito inteligente, certa feita se aproximou de Chico Xavier e indagou-lhe:
Chico, eu quero que você formule uma pergunta ao seu guia espiritual, Emmanuel, pois eu necessito muito de orientação.
Eu sinto um vazio enorme dentro do meu coração. O que me falta, meu amigo?
Eu tenho uma profissão que me garante altos rendimentos, uma casa muito confortável, uma família ajustada, o trabalho na Doutrina Espírita como médium, mas sinto que ainda falta alguma coisa.
 

Portugal
O que me falta, Chico?
O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel que lhe respondeu:
Fale a ele, Chico, que o que lhe falta é a "alegria dos outros"! Ele vive sufocado com muitas coisas materiais. É necessário repartir, distribuir para o próximo...
A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que a distribui.
É isto que está lhe fazendo falta, meu filho: a "alegria dos outros".
                                          * * *
Será que já paramos para refletir que todas as grandes almas, que transitam pela Terra, estiveram intimamente ligadas com algum tipo de doação?
Será que já percebemos que a caridade esteve presente na vida de todos esses expoentes, missionários que habitaram o planeta?
Sim, todos os Espíritos elevados trazem como objetivo a alegria dos outros.

 
Não se refere o termo, obviamente, à alegria passageira do mundo, que se confunde com euforia, com a satisfação de prazeres imediatos.
Não, essa alegria dos outros, mencionada por Emmanuel, é gerada por aqueles que se doam ao próximo, é criada quando o outro percebe que nos importamos com ele.

 
É quando o coração sorri, de gratidão, sentindo-se amparado por uma força maior, que conta com as mãos carinhosas de todos os homens e mulheres de bem.
Possivelmente, em algum momento, já percebemos como nos faz bem essa alegria dos outros, quando, de alguma forma conseguimos lhes ser úteis, nas pequenas e grandes questões da vida.
Esse júbilo alheio nos preenche o coração de uma forma indescritível. Não conseguimos narrar, não conseguimos colocar em palavras o que se passa em nossa alma, quando nos invade uma certa paz de consciência por termos feito o bem, de alguma maneira.
 

É a Lei maior de amor, a Lei soberana do Universo, que da varanda de nossa consciência exala seu perfume inigualável de felicidade.
Toda vez que levamos alegria aos outros a consciência nos abraça, feliz e exuberante, segredando, ao pé de ouvido: É este o caminho... Continue...
                                              * * *
Sejamos nós os que carreguemos sempre o amor nas mãos, distribuindo-o pelo caminho como quem semeia as árvores que nos farão sombra nos dias difíceis e escaldantes.
 

Sejamos os que carreguemos o amor nos olhos, desejando o bem a todos que passam por nós, purificando a atmosfera tão pesada dos dias de violência atuais.
E lembremos: a alegria dos outros construirá a nossa felicidade.

Redação do Momento Espírita
 "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

19 agosto, 2013

O Amor

          
O amor, como comumente se entende na Terra, é um sentimento, um impulso do ser, que o leva para outro ser com o desejo de unir-se a ele. Mas, na realidade, o amor reveste formas infinitas, desde as mais vulgares até as mais sublimes. Princípio da vida universal, proporciona à alma, em suas manifestações mais elevadas e puras, a intensidade de radiação que aquece e vivifica tudo em roda de si; é por ele que ela se sente estreitamente ligada ao Poder Divino, foco ardente de toda a vida, de todo o amor.

Acima de tudo, Deus é amor. Por amor, criou os seres para associá-los às suas alegrias, à sua obra. O amor é um sacrifício; Deus hauriu nele a vida para dá-la às almas. Ao mesmo tempo que a efusão vital, elas receberiam o princípio afetivo destinado a germinar e expandir-se pela provação dos séculos, até que tenham aprendido a dar-se por sua vez, isto é, a dedicar-se, a sacrificar-se pelas outras. Com este sacrifício, em vez de se amesquinharem, mais se engrandecem, enobrecem e aproximam do Foco Supremo.

O amor é uma força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e aquele que recebe. É pelo amor, sol das almas, que Deus mais eficazmente atua no mundo. Por ele atrai para si todos os pobres seres retardados nos antros da paixão, os Espíritos cativos na matéria; eleva-os e arrasta-os na espiral da ascensão infinita para os esplendores da luz e da liberdade.

O amor conjugal, o amor materno, o amor filial ou fraterno, o amor da pátria, da raça, da Humanidade, são refrações, raios refratados do amor divino, que abrange, penetra todos os seres, e, difundindo-se neles, faz rebentar e desabrochar mil formas variadas, mil esplêndidas florescências de amor.

Até às profundidades do abismo de vida, infiltram-se as radiações do amor divino e vão acender nos seres rudimentares, pela afeição à companheira e aos filhos, as primeiras claridades que, nesse meio de egoísmo feroz, serão como a aurora indecisa e a promessa de uma vida mais elevada.

É o apelo do ser ao ser, é o amor que provocará, no fundo das almas embrionárias, os primeiros rebentos do altruísmo, da piedade, da bondade. Mais acima, na escala evolutiva, entreverá o ser humano, nas primeiras felicidades, nas únicas sensações de ventura perfeita que lhe é dado gozar na Terra, sensações mais fortes e suaves que todas as alegrias físicas e conhecidas somente das almas que sabem verdadeiramente amar.



Assim, de grau em grau, sob a influência e irradiação do amor, a alma desenvolver-se-á e engrandecerá, verá alargar-se o círculo de suas sensações. Lentamente, o que nela não era senão paixão, desejo carnal, ir-se-á depurando, transformando num sentimento nobre e desinteressado; a afeição a um só ou a alguns converter-se-á na afeição a todos, à família, à pátria, à Humanidade. E a alma adquirirá a plenitude de seu desenvolvimento quando for capaz de compreender a vida celeste, que é toda amor, e a participar dela.

O amor é mais forte do que o ódio, mais poderoso do que a morte. Se o Cristo foi o maior dos missionários e dos profetas, se tanto império teve sobre os homens, foi porque trazia em si um reflexo mais poderoso do Amor Divino. Jesus passou pouco tempo na Terra; foram bastantes três anos de evangelização para que o seu domínio se estendesse a todas as nações. Não foi pela Ciência nem pela arte oratória que ele seduziu e cativou as multidões; foi pelo amor. Desde sua morte, seu amor ficou no mundo como um foco sempre vivo, sempre ardente. 

Por isso, apesar dos erros e faltas de seus representantes, apesar de tanto sangue derramado por eles, de tantas fogueiras acesas, de tantos véus estendidos sobre seu ensino, o Cristianismo continuou a ser a maior das religiões; disciplinou, moldou a alma humana, amansou a índole feroz dos bárbaros, arrancou raças inteiras à sensualidade ou à bestialidade.

O Cristo não é o único exemplar a apresentar. Pode-se, de um modo geral, verificar que das almas eminentes se desprendem radiações, eflúvios regeneradores, que constituem uma como atmosfera de paz, uma espécie de proteção, de providência particular. Todos aqueles que vivem sob esta benéfica influência moral sentem uma calma, um sossego de espírito, uma espécie de serenidade que dá um antegozo das quietações celestes. Esta sensação é mais pronunciada ainda nas sessões espíritas dirigidas e inspiradas por almas superiores; nós mesmos o experimentamos muitas vezes em presença das entidades que presidem aos trabalhos do nosso grupo de Tours.

Essas impressões vão-se encontrando cada vez mais vivas à medida que se afastam dos planos inferiores onde reinam as impulsões egoístas e fatais e se sobem os degraus da gloriosa hierarquia espiritual para aproximar-se do Foco Divino; pode-se assim verificar, por uma experiência que vem completar as nossas intuições, que cada alma é um sistema de força e um gerador de amor, cujo poder de ação aumenta com a elevação.

Por isto também se explicam e se afirmam a solidariedade e fraternidade universais. Um dia, quando a verdadeira noção do ser se desembaraçar das dúvidas e incertezas que obsidiam o pensamento humano, compreender-se-á a grande fraternidade que liga as almas. Sentir-se-á que são todas envolvidas pelo magnetismo divino, pelo grande sopro de amor que enche os Espaços.

À parte este poderoso laço, as almas constituem também agrupamentos separados, famílias que se foram pouco a pouco formando através dos séculos, pela comunidade das alegrias e das dores. A verdadeira família é a do Espaço; a da Terra não é mais do que uma imagem daquela, redução enfraquecida, como o são as coisas deste mundo comparadas com as do Céu. A verdadeira família compõe-se dos Espíritos que subiram juntos as ásperas sendas do destino e são feitas para se compreenderem e amarem.

Quem pode descrever os sentimentos ternos, íntimos, que unem esses seres, as alegrias inefáveis nascidas da fusão das inteligências e das consciências, a união das almas sob o sorriso de Deus?

Estes agrupamentos espirituais são os centros abençoados onde todas as paixões terrestres se apaziguam, onde os egoísmos se desvanecem, onde os corações se dilatam, onde vêm retemperar-se e consolar-se todos aqueles que têm sofrido, quando, livres pela morte, tornam a juntar-se com os bem-amados, reunidos para festejarem seu regresso.
Quem pode descrever os êxtases que proporciona às almas purificadas, que chegaram às cumeadas luminosas, a efusão nelas do amor divino e os noivados celestes pelos quais dois Espíritos se ligam para sempre no seio das famílias do Espaço, reunidas para consagrarem com um rito solene essa união simbólica e indestrutível? Tal é o himeneu verdadeiro, o das almas irmãs, que Deus reúne eternamente com um fio de ouro. Com essas festas do amor, os Espíritos que aprenderam a tornar-se livres e a usar de sua liberdade fundem-se num mesmo fluido, à vista comovida de seus irmãos. Daí em diante, seguirão uns aos outros em suas peregrinações através dos mundos; caminharão, de mãos dadas, sorrindo à desgraça e haurindo na ternura comum a força para suportar todos os reveses, todas as amarguras da sorte. Algumas vezes, separados pelos renascimentos, conservarão a intuição secreta de que seu insulamento é apenas passageiro; depois das provas da separação, entreveem a embriaguez do regresso ao seio das imensidades.

Entre os que caminham neste mundo, solitários, entristecidos, curvados sob o fardo da vida, há os que conservam no fundo do coração a vaga lembrança da sua família espiritual. Estes sofrem cruelmente da nostalgia dos Espaços e do amor celeste, e nada entre as alegrias da Terra os pode distrair e consolar. Seu pensamento vai muitas vezes, durante a vigília, e, mais ainda, durante o sono, reunir-se aos seres queridos que os esperam na paz serena do Além. O sentimento profundo das compensações que os aguardam explica sua força moral na luta e sua aspiração para um mundo melhor. A esperança semeia de flores austeras os atalhos que eles percorrem.

Todo poder da alma resume-se em três palavras: - Querer, Saber, Amar!

Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo que se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigi-la.

Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que procuram conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.

Acima, porém, de tudo, é preciso amar, porque, sem o amor, a vontade e a ciência seriam incompletas e muitas vezes estéreis. O amor ilumina-as, fecunda-as, centuplica-lhes os recursos. Não se trata aqui do amor que contempla sem agir, mas do que se aplica a espalhar o bem e a verdade pelo mundo. A vida terrestre é um conflito entre as forças do mal e as do bem. O dever de toda alma viril é tomar parte no combate, trazer-lhe todos os seus impulsos, todos os seus meios de ação, lutar pelos outros, por todos aqueles que se agitam ainda na via escura.

O uso mais nobre que se pode fazer das faculdades é trabalhar por engrandecer, desenvolver, no sentido do belo e do bem, a Civilização, a sociedade humana, que tem as suas chagas e fealdades, sem dúvida, mas que é rica de esperanças e magníficas promessas; essas promessas transformar-se-ão em realidade vivaz no dia em que a Humanidade tiver aprendido a comungar, pelo pensamento e pelo coração, com o foco de amor, que é o esplendor de Deus.

Amemos, pois, com todo o poder do nosso coração; amemos até ao sacrifício, como Joana D’Arc amou a França, como o Cristo amou a Humanidade, e todos aqueles que nos rodeiam receberão nossa influência, sentir-se-ão nascer para nova vida.

Ó homem, procura em volta de ti as chagas a pensar, os males a curar, as aflições a consolar. Alarga as inteligências, guia os corações transviados, associa as forças e as almas, trabalha para ser edificada a alta cidade de paz e de harmonia que será a cidade de amor, a cidade de Deus! Ilumina, levanta, purifica! 


Que importa que se riam de ti! Que importa que a ingratidão e a maldade se levantem na tua frente! Aquele que ama não recua por tão pouca coisa; ainda que colha espinhos e silvas, continua sua obra, porque esse é seu dever, sabe que a abnegação o engrandece.

O próprio sacrifício também tem suas alegrias; feito com amor, transforma as lágrimas em sorrisos, faz nascer em nós alegrias desconhecidas do egoísta e do mau. Para aquele que sabe amar, as coisas mais vulgares são de interesse; tudo parece iluminar-se; mil sensações novas despertam nele.

São necessários à sabedoria e à Ciência longos esforços, lenta e penosa ascensão para conduzir-nos às altas regiões do pensamento. O amor e o sacrifício lá chegam de um só pulo, com um único bater de asas. Na sua impulsão conquistam a paciência, a coragem, a benevolência, todas as virtudes fortes e suaves. O amor depura a inteligência, põe à larga o coração e é pela soma de amor acumulada em nós que podemos avaliar o caminho que temos andado para Deus.

A todas as interrogações do homem, a suas hesitações, a seus temores, a suas blasfêmias, uma voz grande, poderosa e misteriosa responde: Aprende a amar! O amor é o resumo de tudo, o fim de tudo. Dessa maneira, estende-se e desdobra-se sem cessar sobre o Universo a imensa rede de amor tecida de luz e ouro. Amar é o segredo da felicidade. Com uma só palavra o amor resolve todos os problemas, dissipa todas as obscuridades. O amor salvará o mundo; seu calor fará derreter os gelos da dúvida, do egoísmo, do ódio; enternecerá os corações mais duros, mais refratários.

Mesmo em seus magníficos derivados, o amor é sempre um esforço para a beleza. Nem sequer o amor sexual, o do homem e da mulher, deixa, por mais material que pareça, de poder aureolar-se de ideal e poesia, de perder todo o caráter vulgar, se, de mistura com ele, houver um sentimento de estética e um pensamento superior. E isto depende principalmente da mulher. Aquela que ama, sente e vê coisas que o homem não pode conhecer, possui em seu coração inexauríveis reservas de amor, uma espécie de intuição que pode dar ideia do Amor Eterno.

A mulher é sempre, de qualquer modo, irmã do mistério e a parte de seu ser que toca o infinito parece ter mais extensão do que em nós. Quando o homem responde como a mulher aos apelos do invisível, quando seu amor é isento de todo desejo brutal, se não fazem mais do que um pelo espírito como pelo corpo, então, no abraço desses dois seres que se penetram, se completam para transmitir a vida, passará como um relâmpago, como uma chama, o reflexo de mais altas felicidades entrevistas. São, todavia, passageiras e misturadas de amarguras as alegrias do amor terrestre; não andam desacompanhadas de decepções, retrocessos e quedas. Somente Deus é o amor na sua plenitude; é o braseiro ardente e, ao mesmo tempo, o abismo de pensamento e luz, donde dimanam e para quem ascendem eternamente os quentes eflúvios de todos os astros, as ternuras apaixonadas de todos os corações de mulheres, de mães, de esposas, de afeições viris de todos os corações de homens. Deus gera e chama o amor, porque é a Beleza infinita, perfeita, e é propriedade da beleza provocar o amor.

Quem, pois, num dia de verão, quando o Sol irradia, quando a imensa cúpula azulada se desenrola sobre nossas cabeças e dos prados e bosques, dos montes e do mar sobem a adoração, a prece muda dos seres e das coisas, quem, pois, deixará de sentir as radiações de amor que enchem o Infinito?

É preciso nunca ter aberto a alma a estas influências sutis para ignorá-las ou negá-las. Muitas almas terrestres ficam, é verdade, hermeticamente fechadas para as coisas divinas ou, então, se sentem suas harmonias e belezas, escondem cuidadosamente o segredo de si mesmas; parecem ter vergonha de confessar o que conhecem ou o que de maior e melhor experimentam.

Tentai a experiência! Abri o vosso ser interno, abri as janelas da prisão da alma aos eflúvios da vida universal e, de súbito, essa prisão encher-se-á de claridades, de melodias; um mundo todo de luz penetrará em vós. Vossa alma arrebatada conhecerá êxtases, felicidades que não se podem descrever; compreenderá que há em seu derredor um oceano de amor, de força e de vida divina no qual ela está imersa e que lhe basta querer para ser banhada por suas águas regeneradoras. Sentirá no universo um Poder soberano e maravilhoso que nos ama, nos envolve, nos sustenta, que vela sobre nós como o avarento sobre a jóia preciosa, e, invocando-o, dirigindo-lhe um apelo ardente, será logo penetrada de sua presença e de seu amor. Estas coisas se sentem e exprimem dificilmente; só as podem compreender aqueles que as saborearam. Mas, todos podem chegar a conhecê-las, a possuí-las, despertando o que há em si de divino. Não há homem, por mais perverso, por pior que seja, que numa hora de abandono e sofrimento, não veja abrir uma fresta por onde um pouco de claridade das coisas superiores e um pouco de amor se filtrem até ele.

Basta ter experimentado uma vez só estas impressões para não as esquecer mais. E quando chega o declínio da vida com suas desilusões, quando as sombras crepusculares se acumulam sobre nós, então estas poderosas sensações acordam com a memória de todas as alegrias sentidas, e a lembrança das horas em que verdadeiramente amamos cai como delicioso orvalho sobre nossas almas dissecadas pelo vento áspero das provações e da dor.

Léon Denis - Depois da Morte. 

'JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

18 agosto, 2013

Quem ama nada exige




Perdoa sem traçar condições.
Sabe sacrificar-se pela felicidade alheia.
Renuncia com alegria ao que mais deseja.
Não espera reconhecimento.
Serve sem cansaço.
 

Apaga-se para que outros brilhem.
Silencia as aflições, ocultando as próprias lágrimas.
Retribui o mal com o bem.
É sempre o mesmo em qualquer situação.
Vive para ser útil aos semelhantes.
 

Agradece a cruz que leva sobre os ombros.
Fala esclarecendo e ouve compreendendo.
Crê na Verdade e procura ser justo.
 

Quem ama, qual o samaritano anônimo da parábola do Mestre, levanta os caídos da estrada, balsamiza-lhes as chagas, abraça-os fraternalmente e segue adiante...
Xavier, Francisco Cândido; Baccelli, Carlos A.. Da obra: Brilhe Vossa Luz. "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

16 agosto, 2013

O vagabundo

Ei-lo que passa na estrada,
De roupinha esfarrapada,
Sem mãos amigas de alguém.
Pobrezinho!... é vagabundo,
Vagueia por este mundo.
Sem ninguém.


Às vezes, tem sede e fome,
Na miséria que o consome,
De pés e bracinhos nus...
Tão tenro e de alma sombria!
Sem amor, sem alegria
E sem luz.


Mete pena vê-lo à solta
De cabeleira revolta,
Tal a penúria em que vai;
Sua alma geme e padece,
Não teve mãe que o quisesse
E nem pai.


Tenhamos piedade ao vê-lo.
Quem não pede auxílio e zelo
Num bocadito de amor?!...
Como punge, no caminho,
Tanta falta de carinho,
Tanta dor...


Lembremos, em nossa vida,
Que essa criança ferida,
Como nós, tem coração;
Que esse pequeno mendigo
Seja agora nosso amigo,
Nosso irmão.
XAVIER, Francisco Cândido. Jardim de Infância. Pelo Espírito João de Deus. FEB. Capítulo 12. 

"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

12 agosto, 2013

Muitas vidas necessárias


Quem dá ao semeador a semente e o pão para comer também vos dará ricas plantações e multiplicará os frutos de vossa justiça. 2Cor.9,10.

A riqueza da vida não reflete nos bens materiais acumulados de diversas gerações, a maior das riquezas esta onde alimentamos nosso Ser na grande caminhada que nos dará o acumulo de energia para dia a dia galgar o reino de Deus.

Não é uma caminhada fácil, quem crê nesta vertente de que chegará ao reino sem luta, sem suor, sem o trabalho diário, não precisa sequer iniciar o primeiro passo, pois ao alcançar a primeira curva defrontará com a frustração da cruz a carregar. Pois muitos acreditam que as posses confortáveis e ricas são traduções de bem estar, aparentemente pode parecer, mas haverá sempre um vazio ou uma lacuna a se preencher que poderá passar uma existência sem o menor interesse em preenchimento para realmente completar a felicidade e a verdadeira caminhada.

Mas porque será que Deus galga tantas dificuldades para que os seres possam alcançar o seu reino? Irmãos esta situação começo no quinto dia da criação de tudo, onde Deus criou o homem conjuntamente com diversos outros seres vitais que comungam nossa existência, conforme o livro dos Genesis, e deu ao homem a mulher para que pudesse auxiliar nas atividades no Jardim do Éden ou o Paraiso, como desejar os irmãos. Mas naquele instante, Deus auxiliou a sua criação em perfeita harmonia, como também ditou quais frutos poderiam se alimentar. E uma determinada árvore, proibiu que seus frutos fossem provados pelo homem. No entanto, a serpente se aproximou da mulher e ofereceu o fruto daquela árvore, receosa não desejava experimentar, até que fora convencida pela serpente que a ludibriou e também ofereceu ao homem que experimentasse tal fruto. No instante que experimentou ambos se viram nus e envergonhados colocaram folhagens para esconderem sua nudez que era até então inocentes.

Ao aproximar de ambos, Deus constatou a contravenção cometida por ambos e a mulher justificou os motivos que levou a experimentar tais frutos, então o Senhor determinou que a partir daquele momento a serpente andasse rastejando pelo seu ventre e seria temida pelos demais seres, a mulher fora determinada que para dar vida a novas vidas fosse pela dor do parto e ao homem se sustentaria pelo seu trabalho e tiraria da terra o seu sustento e foram expulsos do paraíso para que pudesse novamente aprender o caminho do certo e a volta ao Jardim do Éden.

Aqui estamos nós irmãos, encarnados e desencarnados, sendo reflexo de nossos ancestrais, ao qual em cada nascimento uma nova e única experiência em consertar todos os nossos erros e caminhando para novamente ser dignos de entrar no Reino e para isto as necessidades de viver todo o fruto das experiências e entre eles a resistência quanto ao fruto das serpentes na tentação diversas que nos são oferecidas diariamente.

Compreendendo as nossas inúmeras fraquezas e facilidades em encantar-se com o encanto das serpentes, Deus em sua infinita bondade e infinito amor, nos enviou diversos profetas, entre aos quais se destacam Moises e seu unigênito Jesus Cristo, que trouxe ao tempo as regras que haveríamos de seguir para a salvação. E mesmo assim irmãos, tempos se passaram e nada na humanidade se evolui evidente que encontramos diversos irmãos que compreenderam e compreende as passagens do evangelho e das regras e buscam com elas se fazer pessoas de bem, descartado é claro, a religião doutrinaria, pois nenhuma delas fala mais pelo Senhor que as palavras e o sentimento único de cada irmão em seu santuário único voltado para a linha dos mandamentos de Deus. Quem transgrida deverá novamente aprender a respeitar e vive-la na acústica em novos nascimentos e vidas.


O exemplo do mestre Jesus tão mais próximo da realidade traz a vertente que devemos considerar com bastante atenção, as parábolas e as linhas de seu novo testamento que nos traz a cada um o verdadeiro comportamento para que possamos de fato alcançar este reino, sem para que isto fosse necessárias diversas regras comportamentais e sacrifícios diários, Jesus nos mostrou que a força de nossos pensamentos e sentimentos ditam as regras de nossas ações e nossas condutas para que possamos não apenas egoisticamente alcançar o reino, mas para que em conjunto fossemos como uma enorme plantação, onde damos ao semeador o melhor de nós e o alimento que ele precisa para ter a força de nos dar todas as condições necessárias para poder periodicamente chegar ao ápice do merecimento ao Reino de Deus na eterna felicidade e no ingresso as suas determinações e que possamos resistir às tentações dos frutos proibidos e fazer por mérito nossa estadia eterna.

Uma plantação não se faz bela somente com um ramo, mas ela é fundamental para que fique bela, para que possa inspirar outras mais, devendo em harmonia e sincronização praticar a única verdade, o amor, com este temos todas as chaves e aberturas para que sejamos jus a toda justiça.
Dr. Bezerra de Menezes.

"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."


10 agosto, 2013

A vida superior


A alma virtuosa, depois de haver vencido suas paixões, depois de abandonar o corpo, miserável instrumento de dor e de glória, vai, através da imensidade, juntar-se às suas irmãs do espaço. Atraída por uma força irresistível, ela percorre regiões onde tudo é harmonia e esplendor; mas a linguagem humana é muito pobre para descrever o que aí se passa.

Entretanto, que alívio, que deliciosa alegria então experimenta, sentindo quebrada a pesada cadeia que a retinha à Terra, podendo abraçar a imensidão, mergulhar no espaço sem limites, librar-se além dos mundos! Não mais tem um corpo enfermo, sofredor e pesado como uma barra de chumbo; não mais terá fardo material para arrastar penosamente. Desembaraçada de suas cadeias, entra a irradiar e
Pintura, Daniel Gerhartz
embriaga-se de espaço e de liberdade.
A fealdade terrena e a decrepitude deram lugar a um corpo fluídico de aparência graciosa e de formas ideais, diáfano e brilhante. Aí encontra aqueles a quem amou na Terra, que a precederam na nova vida e agora parecem esperá-la. Então, comunica-se livremente com todos, suas expansões são repletas de felicidade, embora ainda um pouco anuviadas por tristes reminiscências da Terra e pela comparação da hora presente com um passado cheio de lágrimas.

Outros Espíritos que perdera de vista em sua última encarnação, mas que se tinham tornado seus afeiçoados por provas suportadas em comum no decurso das idades, vêm também juntar-se aos primeiros. 

Todos os que compartilharam seus bons ou maus dias, todos os que com ela se engrandeceram, lutaram, choraram e sofreram correrão ao seu encontro, e sua memória, despertando-se desde então, ocasionará explosões de felicidade e venturas que a pena não sabe descrever.

Como resumir as impressões da vida radiante que se abre ao Espírito? A veste grosseira, o manto pesado que lhe constrangia os sentidos íntimos, despedaçando-se subitamente, tornam centuplicadas as suas percepções. O horizonte se lhe alarga e não tem mais limites. O infinito incomensurável, luminoso, desdobra-se às suas vistas com suas ofuscantes maravilhas, com seus milhões de sóis, focos multicores, safiras e esmeraldas, jóias enormes, derramadas no azul e seguidas de seus suntuosos cortejos de esferas. Esses sóis, que aparecem aos homens como simples lampadários, o Espírito os contempla em sua real e colossal grandeza; vê-os mais poderosos que o luminar do nosso planeta; reconhece a força de atração que os prende, e distingue ainda, em longínquas profundezas, os astros maravilhosos que presidem às evoluções. 


Todos esses fachos gigantescos, ele os vê em movimento, gravitando, prosseguindo seu curso vagabundo, entrecruzando-se, como globos de fogo lançados no vácuo pela mão de um invisível jogador. Nós, perturbados sem cessar por vãos rumores, pelo confuso sussurro da colmeia humana, não podemos conceber a calma solene, o majestoso silêncio dos espaços, que enche a alma de um sentimento augusto, de um assombro que toca as raias do pavor.

Mas o Espírito puro e bom é inacessível ao temor. Esse infinito, frio e silencioso para os Espíritos inferiores, anima-se logo para ele e o faz ouvir sua voz poderosa. Livre da matéria, a alma percebe, aos poucos, as vibrações melodiosas do éter, as delicadas harmonias que descem das regiões celestes e compreende o ritmo imponente das esferas.

Esse cântico dos mundos, essas vozes do infinito que soam no silêncio ela os saboreia até se sentir arrebatar. Recolhida, inebriada, cheia de um sentimento grave e religioso, banha-se nas ondas do éter, contempla as profundezas siderais, as legiões de Espíritos, sombras ligeiras que flutuam e se agitam em esteiras de luz. Assiste à gênese dos mundos, vê a vida despertar-se e crescer na sua superfície, segue o desenvolvimento das humanidades que os povoam e, nesse grande espetáculo, verifica que em toda parte do Universo a atividade, o movimento e a vida ligam-se à ordem.

Qualquer que seja seu adiantamento, o Espírito que acaba de deixar a Terra não pode aspirar a viver indefinidamente dessa vida superior. Adstrito à reencarnação, essa vida não lhe é senão um tempo de repouso: uma compensação aos seus males, uma recompensa aos seus méritos. Apenas aí vai retemperar-se e fortificar-se para as lutas futuras. Porém, nas vidas que o esperam não terá mais as angústias e os cuidados da existência terrestre. O Espírito elevado é destinado a renascer em planetas mais bem dotados que o nosso. A escala grandiosa dos mundos tem inúmeros graus, dispostos para a ascensão progressiva das almas, que os devem transpor cada um por sua vez.

Nas esferas superiores à Terra o império da matéria é menor. Os males por esta originados atenuam-se, à medida que o ser se eleva e acabam por desaparecer. Lá, o ser humano não mais se arrasta penosamente sob a ação de pesada atmosfera; desloca-se de um lugar para outro com muita facilidade. As necessidades corpóreas são quase nulas e os trabalhos rudes, desconhecidos. Mais longa que a nossa, a existência aí se passa no estudo, na participação das obras de uma civilização aperfeiçoada, tendo por base a mais pura moral, o respeito aos direitos de todos, a amizade e a fraternidade. As guerras, as epidemias e os flagelos não têm acesso e os grosseiros interesses, causa das nossas ambições, não mais dividem os povos.

Chegará afinal um dia em que o Espírito, depois de haver percorrido o ciclo de suas existências terrestres, depois de se haver purificado através dos mundos, por seus renascimentos e migrações, vê terminar a série de suas encarnações e abrir-se a vida espiritual, definitivamente, a verdadeira vida da alma, donde o mal, as trevas e o erro estão banidos para sempre. A calma, a serenidade e a segurança profunda substituem os desgostos e as inquietações de outrora. A alma chegou ao término de suas provações, não mais terá sofrimento. Com que emoção rememora os fatos de sua vida, esparsos na sucessão dos tempos, sua longa ascensão, a conquista de seus méritos e de sua elevação! Que ensinamento nessa marcha grandiosa, no percurso da qual se constitui e se afirma a unidade de sua natureza, de sua personalidade imortal!

Compara os desassossegos de outras épocas, os cuidados e as dores do passado, com as aventuras do presente, e saboreia-as a longos tragos. Que inebriamento o de sentir-se viver no meio de Espíritos esclarecidos, pacientes e atenciosos; unir-se-lhes pelos laços de inalterável afeto; participar das suas aspirações, ocupações e gozos; ser-se compreendido, sustentado, amado por todos, livre das necessidades e da morte, na fruição de uma mocidade sobre a qual os séculos não fazem moção! Depois, vai estudar, admirar, glorificar a obra infinita, aprofundar ainda os mistérios divinos; vai reconhecer por toda parte a beleza e a bondade celeste; identificar-se e saciar-se com elas; acompanhar os Gênios superiores em seus trabalhos, em suas missões; compreender que chegará um dia a igualá-los; que subirá ainda mais e que a esperam, sempre e sempre, novas alegrias, novos trabalhos, novos progressos: tal é a vida eterna, magnífica, a vida do espírito purificado pelo sofrimento.

Os céus elevados são a pátria da beleza ideal e perfeita em que todas as artes bebem a inspiração. Os Espíritos eminentes possuem em grau superior o sentimento do belo. Este é a fonte dos mais puros gozos, e todos sabem realizá-lo em seus trabalhos, diante dos quais empalidecem as obras-primas da Terra. Cada vez que uma nova manifestação do gênio se produz sobre o mundo, cada vez que a arte se nos revela sob uma forma aperfeiçoada, pode dizer-se que um Espírito descido das altas esferas tomou corpo na Terra para iniciar os homens nos esplendores da beleza eterna. Para a alma superior, a arte, sob seus múltiplos aspectos, é uma prece, uma homenagem prestada ao Princípio de todas as coisas.

O Espírito, pelo poder de sua vontade, opera sobre os fluidos do espaço, os combina, dispondo-os a seu gosto, dá-lhes as cores e as formas que convêm ao seu fim. É por meio desses fluidos que se executam obras que desafiam toda comparação e toda análise. Construções aéreas, de cores brilhantes, de zimbórios resplendentes: sítios imensos onde se reúnem em conselho os delegados do Universo; templos de vastas proporções de onde se elevam acordes de uma harmonia divina; quadros variados, luminosos: reproduções de vidas humanas, vidas de fé e de sacrifício, apostolados dolorosos, dramas do infinito. Como descrever magnificências que os próprios Espíritos se declaram impotentes para exprimir no vocabulário humano?

É nessas moradas fluídicas que se ostentam as pompas das festas espirituais. Os Espíritos puros, ofuscantes de luz, agrupam-se em famílias. Seu brilho e as cores variadas de seus invólucros permitem medir a sua elevação, determinar-lhes os atributos. Suaves e encantadores concertos, comparados aos quais os da Terra não são mais que ruídos discordantes; por cenários têm eles o espaço infinito, o espetáculo maravilhoso dos mundos que rolam na imensidão, unindo suas notas às vozes celestes, ao hino universal que sobe a Deus.

Todos esses Espíritos, associados em falanges inumeráveis, conhecem-se e amam-se. Os laços de família, os afetos que os uniam na vida material, quebrados pela morte, aí se reconstituem para sempre. Destacam-se dos diversos pontos do espaço e dos mundos superiores para comunicarem mutuamente os resultados de suas missões, de seus trabalhos, para se felicitarem pelos êxitos obtidos e coadjuvarem-se uns aos outros nas empresas difíceis. Nenhum pensamento oculto, nenhum sentimento de inveja tem ingresso nessas almas delicadas. O amor, a confiança e a sinceridade presidem a essas reuniões onde todos recolhem as instruções dos mensageiros divinos, onde se aceitam as tarefas que contribuem para elevá-los ainda mais. 


Uns seguem a observar o progresso e o desenvolvimento dos globos; outros encarnam nos diversos mundos para cumprir missões de devotamento, para instruir os homens na moral e na Ciência; outros ainda, os Espíritos-guias ou protetores, ligam-se a alguma alma encarnada, a sustentam no rude caminho da existência, conduzem-na do nascimento à morte, durante muitas vidas sucessivas, vindo acolhê-la no termo de cada uma delas, quando entra no mundo invisível. Em todos os graus da hierarquia espiritual, as almas têm um papel a executar na obra imensa do progresso e concorrem para a realização das leis superiores.

Quanto mais o Espírito se purifica, mais intensa, mais ardente nele se torna a necessidade de amar, de atrair para a sua luz e para a sua felicidade, para a morada em que não se conhece a dor, tudo o que sofre, tudo o que luta e se agita nas baixas camadas da existência. Quando um desses Espíritos adota um de seus irmãos atrasados e torna-se seu protetor, seu guia, com que solicitude afetuosa lhe sustenta os passos, com que alegria contempla os seus progressos e com quanta dor vê as quedas que não pôde evitar! Assim como a criança descida do berço ensaia seus primeiros passos sob os olhares enternecidos da sua carinhosa mãe, assim também, sob a égide invisível de seu pai espiritual, o Espírito é assistido nos combates da vida terrestre.

Todos temos um desses Gênios tutelares que nos inspira nas horas difíceis e dirige-nos pelo bom caminho. Daí a poética tradição cristã do anjo da guarda. Não há concepção mais grata e consoladora. Saber que temos um amigo fiel e sempre disposto a socorrer-nos, de perto como de longe, influenciando-nos a grandes distâncias ou conservando-se junto de nós nas provações; saber que ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte inapreciável de força moral. O pensamento de que testemunhas benévolas e invisíveis veem todos os nossos atos, regozijando-se ou entristecendo-se, deve inspirar-nos mais sabedoria e circunspecção. É por essa proteção oculta que se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne. É por essa assistência contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as amizades duradouras e desinteressadas. O amor que anima o Espírito elevado vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres sem cessar, revertendo tudo para Deus, pai das almas, foco de todas as potências efetivas.
(Léon Denis - Depois da Morte).

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09 agosto, 2013

A vida dá lições



Hilda, menina rica, diariamente dirigiu palavras de baixo calão a pequena vendedora de doces que jogou-lhe humildemente para a porta da casa.

-Que vergonha! Com essa bandeja, de canto a canto! vir aqui! -gritando sem motivo.
A garota humilde tornou-se pálido e trêmulo. Enquanto isso, o dono da casa, tentando educar a filha, veio para a reunião da menina humilhada e disse-lhe, gentilmente:
-Que doces tão perfeitos! Quem fez eles assim tão bonito?
A garota, reanimada, respondeu, feliz:
-Foi minha mãe.

Generosa dama sempre foi comprar algo e então recomendou a filha:
-Hilda, não brinque com o destino. Sempre rezando para os necessitados que nos procura. Quem sabe o que vai acontecer amanhã? Aqueles que nós socorremos provavelmente será nossos benfeitores.

A menina ouvia à noite, no alimento, conselhos maternos e de seu pai, acrescentando:
-Não ridicularize a ninguém, minha filha! O trabalho, por mais humilde de ser, é sempre respeitável e edificante. Necessidades certamente dolorosas, forçando uma menina vendendo doces, de porta em porta.

Hilda, no entanto, no dia seguinte, fustigava o vendedor, exclamando:
-fora daqui! bruxa! bruxa!...

Ele correu o tempo, e depois de quatro anos, mudou a imagem da vida.

O pai de Hilda adoeceu e em vão, os médicos tentaram salvá-lo. Ele morreu numa tarde calma, deixando a casa vazia.

A viúva doente e extremamente infeliz, despesa enormes, em uma curto espaço de tempo de pobreza e o desânimo invadiu a residência. Pobre senhora mal podia me mexer.

As privações veio em quantidade. A menina rica anteriormente não, poderia comprar agora, ou um par de sapatos.

Afligido por resolver a situação angustiante, certa noite que Hilda chorou muito, lembrando o pai dela. Ela dormiu triste e sonhei que ele veio do céu para confortá-la. Ouvi-o dizer, perfeitamente:
-Não desanime, minha filha! vai trabalhar! Vende doces para ajudar sua mãe!...

Ela acordou no dia seguinte, para seguir o que lhe foi aconselhado.

Ela ajudou sua mãe doente para muitas praças de doces de leite e, mais tarde, saiu para vendê-los. Algumas pessoas generosas que compraram com a aparente intenção de ajudá-la; Enquanto isso, outras criaturas, principalmente crianças maus, gritaram aos ouvidos:
-Saia da aqui! bruxa de bandeja! . . .

Sentiu-se triste e desanimado quando ele bateu na porta de uma casa modesta. Uma graciosa jovem atendeu.

Ah! Que surpresa! Era a pobre garota que costumava vender cocada em outro tempo. Eu era crescida, bem vestida e bonita.

Hilda esperou que maltratasse sua vingança, mas a humilde jovem definida em seus grandes olhos, reconheceu-a, percebeu que sua nova situação e exclamou, feliz:
-Que doces tão perfeitos! Quem fez eles assim tão bonito?

O perguntou recordou todos os ensinamentos maternos dos últimos anos e relatou:
-Foi minha mãe.

A ex-vendedora comprou todo o doce de praças restantes na bandeja e a abraçou com amizade sincera.

Daquele dia em diante, a menina vaidosa foi transformada para sempre. A experiência deu-lhe uma lição inesquecível.

Pelo Espírito Néio Lúcio, médium Chico Xavier.  

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07 agosto, 2013

A cadeira vazia


Era uma singela igreja, frequentada por moradores da região daquele distante bairro de Londres.
Os anos se passavam e o pequeno grupo se mantinha constante
nas reuniões, ocupando sempre os mesmos lugares.
Foi por isso, fácil ao pastor descobrir certo dia, uma cadeira vazia. Estranhou, mas logo esqueceu.
Na semana seguinte, a mesma cadeira vazia lá estava e ninguém
soube informar o que estava acontecendo.
 

Na terceira ausência, o pastor resolveu visitar o faltoso. No dia
frio, foi encontrá-lo sentado, muito confortável, ao lado da lareira de
sua casa, a ler.
Você está doente, meu filho? Perguntou. A resposta foi negativa. Ele estava bem.
Talvez esteja atravessando algum problema, ousou falar o pastor, preocupado.
Mas estava tudo em ordem. E o homem foi explicando que, simplesmente, deixara de comparecer.
Afinal, ele frequentava o culto há mais de vinte anos.
Sentava na mesma cadeira, pronunciava as mesmas orações, cantava os mesmos hinos, ouvia os mesmos sermões. Não precisava mais comparecer. Ele já sabia tudo de cor.
 

O pastor refletiu por alguns momentos. Depois, se dirigiu até a lareira, atiçou o fogo e de lá retirou
uma brasa.
Ante o olhar surpreso do dono da casa, colocou a brasa sobre a soleira de mármore, na janela.
Longe do braseiro, ela perdeu o brilho e se apagou. Logo, era somente um carvão coberto de cinza.
Então, o homem entendeu. Levantou-se de sua cadeira, caminhou até o pastor e falou: Tudo bem, pastor, entendi a mensagem. E voltou para a igreja.
Todos somos brasas no braseiro da fé. Se mantemos regular frequência ao templo religioso, estudando e trabalhando, nos conservamos acesos e quentes.
Mas, exatamente como fazem as brasas, é preciso estender o calor. Assim, acostumemos a não somente orar, pedir e esperar graças. Mas iluminados pelo Evangelho de Jesus, nos disponhamos a agir em
favor dos nossos irmãos.
Como as brasas unidas se transformam em um imenso fogaréu, clareando a escuridão e aquecendo as noites gélidas, unidos aos nossos irmãos de ideal, poderemos estabelecer o calor da esperança em muitas vidas.
 
Richard Simonetti, retirado do jornal “O Seareiro Espírita 
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04 agosto, 2013

Compromisso com a consciência

Un scélerat - Franz Xaver Messerchmidt

Você certamente já leu ou ouviu, algum dia, a notícia de roubo, incêndio, naufrágio ou explosão de algum bem móvel ou imóvel que pertencia a alguém, não é mesmo?
No entanto, ninguém jamais ouviu ou leu uma manchete com os dizeres:
Foi roubada a coragem dessa ou daquela pessoa. Foi extraviada grande porção de otimismo. Quem a encontrar favor devolver no endereço citado.
Ou então, Incêndio consumiu toda a fidelidade de Fulano ou Naufragou a honestidade de Beltrano.
 

Enfim, nunca se ouve falar que as virtudes de alguém tenham sofrido assaltos ou outro dano qualquer.
Todavia, isso acontece diariamente quando as negociatas indignas põem por terra a honestidade e a honradez deste ou daquele cidadão, que sucumbe ante grandes quantias em dinheiro ou favorecimentos de toda ordem.
 

No entanto, as virtudes que se deixam arrastar por interesses próprios, não são virtudes efetivas, são ensaios de virtudes.
Quem verdadeiramente conquista uma virtude, jamais a perde.
 

Contou-nos um amigo, jovem advogado que labora num órgão público que, em certa ocasião, estava com uma pilha de processos sobre a mesa, quando seu superior entrou na sala, tomou dois daqueles processos e pôs de lado, dizendo-lhe:
Quero que você arquive estes processos.
O advogado perguntou por que razão deveria arquivá-los e o diretor respondeu simplesmente: Porque os acusados são meus amigos e me pediram esse favor.
O moço, que tinha compromisso sério com a própria consciência, fez com que os processos seguissem seu curso, sem interferir.
 

Tempos depois, os acusados tiveram que arcar com as custas do processo e indenizar vários cidadãos, aos quais haviam prejudicado de alguma forma.
Quando questionado por seu superior sobre o ocorrido, o advogado argumentou que o fato de os acusados serem seus amigos não era suficiente para isentá-los da responsabilidade de seus atos.
 

Se o jovem advogado não tivesse firmeza de caráter poderia ter dado ocasião a que fosse registrada em sua ficha espiritual a seguinte anotação:
Este Espírito sofreu, em tal data, um assalto da corrupção e da prepotência e teve seus bens mais preciosos, que são a fidelidade e a honestidade, roubados.
Felizmente isso não aconteceu.
                                 * * *
Toda vez que permitimos que nosso patrimônio ético-moral seja comprado ou roubado, ficamos mais pobres espiritualmente.
Quando aplaudimos a corrupção e a ganância dos outros, somos coniventes com essas misérias morais, e empobrecemos.
Pense nisso, e considere que vale a pena preservar esse bem tão valioso que é o seu patrimônio moral.
Redação do Momento Espírita, com base em fato. 

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