Corredores e salas suntuosos, abarrotados de arte, representando a composição e a técnica representativas da beleza dos tempos, somando quilômetros de encantamento e poder, contrastam, não obstante, com a paisagem sórdida dos guetos e favelas, onde milhões de criaturas se exaurem, pela fome e pela enfermidade, sob o impositivo da ausência de parcas moedas que lhes diminuiriam a miséria e a dor.
Museus refinados, exibindo jóias e ourivesaria caprichada, em inumeráveis espaços, retratam a força e a glória das gerações passadas, embora a orfandade e o abandono juvenil, que, padecendo de penúria, são armados pelo ódio e pelo descaso que sofrem para a delinquência e a loucura.
Cofres fortes, atulhados de moedas e barras de ouro, ocultando gemas de valor incalculável, que não veem a luz do Sol, ao mesmo tempo em que a necessidade, corrompendo e malsinando milhões de vidas, que são destruídas pela abjeção em que se encontram, esquecidas pela abastança e pela fortuna.
Luxo em excesso, pregando renúncia.
Poder desmedido, ensinando submissão.
Egoísmo enfermiço, propondo fraternidade real.
Orgulho em demasia, convocando à humildade.
Este é um mundo de contrastes, de imperfeições!
Não bastassem as situações antípodas, chocantes, e, ao lado de tanta grandeza, aumenta a ferida purulenta, em chaga viva, dos vícios e licenças morais, amesquinhando e contaminando outras vias que apenas começam.
Ante o deslumbramento que produzem à arte a grandeza, que vês em toda parte, não feches os olhos à dor e à sordidez que se abraçam e passeiam em tua frente.
![]() |
FOTO - Timor Leste, Sudeste Asiático |
Nenhum comentário:
Postar um comentário