Pages

11 dezembro, 2010

Copo d'água

E qualquer que tiver dado só que seja um copo d’água fria, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá seu galardão”.
 Jesus   ( Mateus, 10:42)


Meu amigo, quando Jesus se referiu à benção do copo de água fria, em seu nome, não apenas se reportava à compaixão rotineira que sacia a sede comum. Detinha-se o Mestre no exame de valores espirituais mais profundos.
A água é dos corpos mais simples e receptivos da Terra. É como que a base pura, em que a medicação do Céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais.
A prece intercessória e o pensamento de bondade representam irradiações de nossas melhores energias.
A criatura que ora ou medita exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam à análise da inteligência vulgar, e a linfa potável recebe-nos a influenciação, de modo claro, condensando linhas de força magnética e princípios elétricos, que aliviam e sustentam, ajudam e curam.
A fonte que procede do coração da Terra e a rogativa que flui do imo d’alma, quando se unem na difusão do bem, opera milagres.
O espírito que se eleva na direção do Céu é antena viva, captando potenciais de natureza superiores, podendo distribuí-los a benefício de todos os que lhe seguem a marcha.
Ninguém existe órfão de semelhante amparo.
Para auxiliar a outrem e a si mesmo, bastam a boa vontade e a confiança positiva.
Reconheçamos, pois, que o Mestre, quando se referiu à água simples, doada em nome  de sua memória, reportava-se ao valor real de providência, a benefício da carne e do espírito, sempre que estacionem através de zonas enfermiças.
Se desejas, portanto, o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de tuas necessidades fisio-psíquicas ou nos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina, à frente de tuas orações, espera e confia. O orvalho do Plano Divino magnetizará o líquido, com raios de amor em forma de bênçãos e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água puro,  abençoado nos Céus.
Emmanuel
(Página psicografada por Francisco Cândido Xavier – Publicada em o Reformador, Fevereiro de 1951)


A água pode ser fluidificada pra uso geral ou para determinado enfermo. Isso deve ser claramente considerado quando mobilizamos a nossa vontade com o objetivo de preparar a água. Como no último caso a água adquire propriedades específicas para a pessoa que temos em vista, não deve ser usada por outras pessoas.
Para fluidificar a água não é necessário impor as mãos sobre ela. Muito receptiva aos fluidos espirituais, a água se torna remédio salutar pela ação da prece em ambientes de silêncio e respeito, onde há vontade ardente de ajudar o semelhante necessitado.
Como o passe, fluidificação é uma tarefa executada pelos Espíritos Bons com a ajuda dos recursos humanos.
"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."

Lutar



Apesar das rudes lutas, não te deixes abater.
A luta dignifica o homem.
Quem não se acostuma às lutas da elevação não poderá pretender o repouso nas alturas.
Quando aprendemos a lutar, não nos detemos ante as dificuldades.
Joannna de Ângelis/Divaldo Franco
"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."

Letreiro

10 dezembro, 2010

Nossas Marcas

Amemo-nos, como Joana D’Arc amou a França e como
Jesus amou a Humanidade

Na Epístola aos Gálatas (6: 17), Paulo  diz: “Desde agora ninguém me moleste, porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”.

Assim, no capítulo 8 do livro Vinha de Luz (FEB),  psicografado por Francisco Cândido Xavier, Emmanuel explica que todas as realizações humanas possuem marca própria: casa, livros, artigos, medicamentos.

Com  este raciocínio, conscientizamo-nos de que Jesus, o Espírito de maior elevação que veio à Terra, deixou-nos os seus sinais, a sua própria marca, que deve ser evidenciada não apenas numa simples cruz, mas nos ensinamentos e exemplos luminosos que Ele nos deixou.

Emmanuel enfatiza:
“Jesus forneceu padrões educativos em todas as particularidades da sua passagem pelo mundo. O Evangelho no-lo apresenta nos mais diversos quadros, junto ao trabalho, à simplicidade, ao pecado, à pobreza, à alegria, à dor, à glorificação e ao martírio. Sua atitude, em cada posição da vida, assinalou um traço novo de conduta para os aprendizes”.

Nós, seus discípulos, se aproveitarmos  com sabedoria cada instante de nossa vida terrena, no uso dos objetos transitórios, por certo que usaremos da mesma medida, quanto no que se refere aos assuntos referentes à vida eterna.
Kabul, Afeganistão
O verdadeiro cristão, e, por conseguinte, o verdadeiro espírita, há que nortear-se por uma vida de exemplos vivificantes, vigiando sempre os seus pensamentos e caminhando por caminhos retos, que lhe descortinem, sempre, uma senda de luz.
“Todos os dias, portanto, o discípulo pode encontrar recursos de salientar suas ações mais comuns com os registros de Jesus”, observa Emmanuel.

E nos recomenda:
“Quando termine cada dia, passa em revista as pequeninas experiências que partilhaste na estrada vulgar. Observa os sinais com que assinalaste os teus atos, recordando que a marca do Cristo é, fundamentalmente, aquela do sacrifício de si mesmo para o bem de todos”.

Portanto, façamos da nossa vida um roteiro de luz. Renovemo-nos. Amemo-nos, como Joana D’Arc amou a França e como Jesus amou a Humanidade.
“Feliz aquele que ama, porque não  conhece as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou esta palavra divina – amor – fez estremecerem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.” 
(O Evangelho segundo o Espiritismo (Edições FEESP, capítulo XI, item 8.)
Altamirando Carneiro
"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."
 

Citações

“A gente deve lutar contra o comodismo e a ociosidade caso contrário, vamos retornar ao Mundo Espiritual com enorme sensação de vazio...Dizem que eu tenho feito muito, mas, para mim, não fiz um décimo do que deveria ter feito...”
Chico Xavier
"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."

09 dezembro, 2010

Pensamento Positivo


Docteur Tom . Smiley from Emmanuelle Walker on Vimeo


Embora a ciência oficial ainda não lhe de o devido crédito, o fator energético é de fundamental importância para a vida de cada um.

Cada ser traz em si um forte componente energético, resultante de interações entre o espírito e o corpo físico, o que é propiciado pelo corpo espiritual, intermediário e catalisador da ligação corpo-espírito.
O componente energético é gerenciado pela mente, que o comanda de duas formas: uma automática ou não consciente, e outra consciente, impulsionada pela vontade. 

Quanto mais evoluído é o espírito, maior é o comando consciente; quanto menos evoluído, maior é o comando automático. De qualquer maneira, ambos os comandos sempre existem.

Já o componente espírito, também deve estar em equilíbrio para poder contribuir com a energização positiva do componente energético. Para ter a mente equilibrada, temos que estar transitando em equilíbrio com a Lei Divina ou Natural, ou seja, orientarmos nossa vida de relação com os semelhantes e com a natureza de acordo com a Lei de Amor. Claro que ainda somos imperfeitos e muitas vezes infringimos as leis naturais. Daí a necessidade constante de vigilância, para que erremos menos, e quando errarmos, rapidamente corrigirmos os erros e redirecionarmos a nossa mente e pensamentos para o bem e o amor.

O componente energético tem, portanto, uma grande interação nos dois sentidos (ida e volta) com o corpo físico e com o espírito, um afetando o outro.

Fica fácil entender que para termos saúde física e mental/espiritual, temos que ter energias equilibradas e vice-versa.

Um antigo ditado greco-latino já nos dizia: "mente sã em corpo são". Isso exprime uma verdade, pelas interações já explicitadas. Por isso, devemos nos preocupar sempre com o equilíbrio de todo o ser, mental e fisicamente. Isso também nos alerta para que, quando estamos com problemas físicos, doentes, temos que reforçar o padrão espiritual, ou seja, buscarmos a compensação energética global por uma maior elevação do padrão espiritual, para não "decairmos" energeticamente. Isso auxiliará mesmo a que o corpo tenda a readquirir o equilíbrio, ou seja, se torne saudável.

Quem se "entrega" à doença, ou seja, não a compensa com um maior equilíbrio espiritual, desequilibra-se energeticamente, o que agrava a doença física e desequilibra ainda mais o espírito. Este fato é fácil de constatar-se observando como as pessoas enfrentam as doenças e dores físicas e os resultados da atitude mental e espiritual de cada um.

Dentro do sistema automático de gerenciamento do componente energético do complexo humano, um dos fatores que mais o influencia é o pensamento, a atitude mental.

Para onde vai o pensamento, liga-se nosso componente energético. Se o nosso pensamento está equilibrado, ligamo-nos, absorvemos e metabolizamos boas energias. O contrário também é verdadeiro. Pensamentos em desequilíbrio nos ligam a energias desequilibradas, as quais assimilamos e metabolizamos, incorporando-as ao nosso componente energético, com as consequências disso advindas.

Nossos pensamentos refletem nossa atitude mental, nossa verdade interior. Se nossa atitude mental é equilibrada, nossos pensamentos serão equilibrados, sendo o contrário também verdadeiro.

Quem tem atitude mental positiva, tem comportamento positivo nas atitudes da vida, do dia-a-dia.
Para estar sempre em contato com boas energias, necessitamos estar emitindo sempre pensamentos positivos, equilibrados. Portanto, para nossa segurança e equilíbrio físico e espiritual (saúde) temos que estar emitindo pensamentos positivos.

No entanto, para emitir pensamentos positivos, temos que ter atitude mental positiva, e isso não pode prescindir de atitudes práticas (comportamento e relação) positivas (vontade ao bem e ao amor).

Podemos resumir afirmando que só se tem pensamentos positivos quando nossa atitude mental e, portanto, nossa prática (atitude) diária for positiva, ou seja, se traduza efetivamente na prática do bem e do amor.

Percebe-se portanto, que a prática efetiva do bem e do amor não é necessidade "religiosa" ou "esotérica" ou ainda "mística". É uma necessidade prática de segurança e equilíbrio energético, físico e espiritual. Só se tem atitude positiva assim. Só desta maneira teremos pensamentos verdadeiramente positivos. Só tendo pensamentos positivos nos ligamos com energias positivas. Só nos ligando com energias positivas, equilibramos nosso componente energético. E isso é fundamental para a saúde física, mental e espiritual.
Busquemos.
Carlos Augusto Parchen
Curitiba, Paraná

"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."


Os adversários, mestres oportunos

 
O ser humano é um conquistador insuperável, fadado às estrelas que lhe estão ao alcance, na medida em que se empenha por alcançá-las.
Desde a descoberta do fogo e do invento da roda, o seu mundo jamais foi o mesmo, alterando os seus padrões de comportamento e de convivência no rumo de melhores resultados.
Mediante o esforço e o raciocínio que se lhe foi desdobrando – a Divina Presença no cerne do ser! – levantou-se e começou a avançar na direção do Infinito, ora sob dores acerbas, noutros momentos em júbilos inexcedíveis, conquistando espaços e adquirindo conhecimentos.
Renascendo em contínuo processo de crescimento intelecto-moral, vem acumulando as experiências que se transformam em bênçãos que deve esparzir pelos caminhos percorridos, deixando pegadas apontando o porto de segurança que se encontra sempre à frente.
Quando atraído pela mensagem libertadora de Jesus, porém, modificam-se-lhe as paisagens interiores e alteram-se-lhe os interesses, ampliando-lhe as possibilidades de ser útil, conseguindo um significado especial para a existência.
Nada obstante, porque se movimenta num planeta igualmente de provas e de expiações, não se pode furtar à psicosfera que lhe é peculiar, nem às injunções que o caracterizam.
Compreensível, portanto, que nem todos aqueles que navegam na mesma barca da evolução estejam firmados em propósitos de elevação, alguns ainda detendo-se em estágio inferior, assinalados pelo primarismo de que se fazem portadores.
Indiscutivelmente, o processo de transformação interior, no qual os instintos cedem lugar aos valores da razão e da consciência, é lento, ainda mais, tendo-se em vista que nem todos os viandantes da indumentária material iniciaram-se no empreendimento espiritual no mesmo instante.
Procedentes de especiais momentos da evolução, incontáveis, inevitavelmente, encontram-se em patamares diferentes, que explicam as diversas aspirações que os tipificam.
Felizes aqueles que já compreendem os impositivos da existência terrena, após vencerem os impulsos agressivos que lhes conferiam a sensação de dominadores do mundo e que o sentido exclusivo da vilegiatura carnal seria conquista dos prazeres e das sensações que mais os agradam.
Aqueles que são mais fisiológicos do que psicológicos, detêm-se nas faixas das paixões primevas e, mesmo quando a consciência se lhes desperta, prosseguem vivenciando um período de transição, que ainda lhes não permite uma visão perfeita da realidade. Embora ansiando por algo melhor, competem, quando deveriam cooperar, malsinam os companheiros, quando lhes cabia o dever de os auxiliar, porque a predominância do ego torna-os ambiciosos e prepotentes.
Não sabem servir com abnegação, sem servir-se, retirando os lucros do orgulho e da presunção, que lhes constituem a moeda retributiva. Podem mesmo desejar ser melhores, no entanto, os impulsos afligentes que resultam dos conflitos e dos complexos de inferioridade que os acompanham de existências pretéritas, transformam-nos em inimigos de todos aqueles que supõem lhes farão sombra...
São infelizes, disfarçados de joviais, humanitários e bondosos, na hipocrisia em que vivem, ocultando os sentimentos inferiores.
Desse modo, transformam-se em adversários perversos dos demais que não lhes compartem as ideias e que pensam pretenderem excluir.
*   *   *
Adversidade é lição para a vida e adversários são mestres que proporcionam o treinamento no bem., sem o concurso do aplauso ou da bajulação habituais, dificultando o trabalho honorável do servidor fiel.
Esses irmãos infelizes que se propõem envenenar-te os sentimentos com a sua pertinaz perseguição, merecem compaixão ao invés de reproche ou de animosidade.
Se é verdade que não lhes deves facultar um relacionamento pusilânime, não é justo devolveres os seus pensamentos enfermiços com outros do mesmo gênero.
Sofres, porque gostarias de servir sem a presença desse tipo de tribulação.
Choras, porque os teus são anseios de construção do amor em toda parte, e, no entanto, sentes o amargor da calúnia que te antecede os passos, da maledicência que te aturde quando lhes tomas conhecimento, ou da zombaria depois que vais adiante...
O melhor comportamento em tais circunstâncias é não valorizar o mal nem aquele que se te fez mau.
Concede-lhe o privilégio de ser como se encontra, mas impõe-te o dever de ser fiel ao compromisso com Jesus, que também experimentou iguais ofensas sem dar-lhes a menor importância.
Gastas tempo e preocupação mental com esses companheiros que te vigiam e acusam, que te acompanham com insistência e infernizam os momentos em que trabalhas e quando repousas.
Ficas indagando como conduzir-te, desde que, se silencias ao mal e ao descalabro que reinam, acusam-te de omisso, mas se levantas a voz e proclamas a verdade, taxam-te de intolerante e mendaz...
Desse modo, faze o que deves e comporta-te conforme estabelece o teu programa ante a consciência do dever.
Esses adversários dos teus objetivos não são apenas opositores teus, mas, sem dar-se conta, dAquele a quem procuras servir, que os entende e concede-lhes tempo para a reabilitação.
Aprende, portanto, com os inimigos, fraternidade legítima, compreensão gentil, exercitando sempre a compaixão.
Na aduana da caridade, a misericórdia e o amor dão-se as mãos, a fim de ensejarem à virtude máxima a ocasião de expressar-se.
Constituam-te estímulo o serviço desses mestres desconhecidos, apurando-te mais, qualificando-te melhor, a fim de produzires com segurança na seara da elevação espiritual da humanidade.
Ninguém atravessa o rio carnal sem experimentar a correnteza violenta sobre a qual navega o Espírito.
Todos os homens e mulheres afeiçoados ao bem pagaram o pesado tributo da diferença entre eles o os que os cercavam, a época em que viveram e naquela pela qual anelavam, e é graças a eles que percorres os atuais caminhos por onde segues em júbilo e dores, porém, fixado na meta que te fascina.
*   *   *
O mundo ainda não tem condições de compreender e aceitar o compromisso da iluminação íntima como primeiro passo para a marcha ascensional.
Por enquanto, somente aqueles que se fizeram fortes e decididos conseguem ultrapassar as barreiras das dificuldades, colocando marcos na senda escura, de maneira a facilitar a jornada espiritual dos que virão depois.
Todo desbravador carrega as marcas da sua audácia de aventureiro do progresso. Abrem picadas na densa mata, traçam roteiros nos mares bravios, alçam-se aos céus ampliando os espaços e caminham sobre acúleos, quebrando-os, assim preparando a senda para o porvir...
Exulta, portanto, por teres adversários, mestres desconhecidos, a seres adversário de quem quer que seja.
                           Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 2 de junho de 2010, em Istambul, Turquia.
Em 22.11.2010.
 


Cartões II

"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."

08 dezembro, 2010

MÚSICA


Recorda que o tempo é o mordomo fiel da vida e se a Bondade do Senhor te concedeu para hoje a riqueza do corpo físico, a justiça d'Ele mesmo, espera-te, amanhã, para a conta imprescindível.
 Emmanuel
"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."

06 dezembro, 2010

As Vidas Sucessivas

    Como tínhamos dito, o homem deve antes de tudo aprender a se conhecer a fim de clarear seu porvir. 
    Para caminhar com passo firme, precisa saber para onde vai.
    É conformando seus atos com as leis superiores que o homem trabalhará eficazmente para a própria melhoria e do meio social. O importante é discernir essas leis, determinar os deveres que elas nos impõem, prever as consequências de suas ações. 
   O dia em que estiver compenetrado da grandeza de sua função, o ser humano poderá melhor se desapegar daquilo que o diminui e rebaixa; poderá se governar com sabedoria, preparar por seus esforços a união fecunda dos homens em uma grande família de irmãos.
    Mas estamos longe desse estado de coisas. Ainda que a humanidade avance na via do progresso, pode-se dizer, entretanto, que a imensa maioria de seus membros caminha pela via comum, em meio à noite escura, ignorante de si mesma, nada compreendendo do propósito real da existência.
    Espessas trevas obscurecem a razão humana. As radiações da verdade chegam empalidecidas, enfraquecidas, impotentes para aclarar as rotas sinuosas trilhadas pelas inumeráveis legiões em marcha e para fazer resplender aos seus olhos o objetivo ideal e longínquo.
    Ignorando seus destinos, flutuando sem cessar entre o preconceito e o erro, o homem maldiz, por vezes, a vida. Curvando-se sob seu fardo, lança sobre seus semelhantes a culpa das provas que suporta e que, muito frequentemente, são geradas por sua imprevidência.
     Revoltado contra Deus, a quem acusa de injustiça, chega mesmo, algumas vezes, na sua loucura e desespero, a desertar do combate salutar, da luta que, por si só, poderia fortificar sua alma, esclarecer seu julgamento, prepará-lo para os trabalhos de uma ordem mais elevada.
    Por que é assim? Por que o homem desce fraco e desarmado na grande arena onde trava sem trégua, sem descanso, a eterna e gigantesca batalha? É porque este globo, a Terra, está em um degrau inferior na escala dos mundos. Aqui residem em sua maior parte espíritos infantis, isto é, almas nascidas há pouco tempo para a razão. A matéria reina soberana em nosso mundo. Nos curva sob seu jugo, limita nossas faculdades, estanca nossos impulsos para o bem e nossas aspirações para o ideal.
Rodim- Cemitière de Laeken, Bélgica
    Além disso, para discernir o porquê da vida, para entrever a lei suprema que rege as almas e os mundos, é preciso saber se libertar dessas pesadas influências, desapegar-se das preocupações de ordem material, de todas essas coisas passageiras e cambiantes que encobrem nosso espírito e que obscurecem nossos julgamentos.
    É nos elevando pelo pensamento acima dos horizontes da vida, fazendo abstração do tempo e do lugar, pairando, de alguma forma, acima dos detalhes da existência, que perceberemos a verdade.
    Por um esforço de vontade, abandonemos um instante a Terra e gravitemos nessas alturas imponentes. De cima se desenrolará para nós o imenso panorama das idades sem conta, e dos espaços sem limites. 
    Da mesma forma que o soldado, perdido no conflito, não vê senão confusão em torno dele, enquanto o general, cujo olhar abraça todas as peripécias da batalha, calcula e prevê os resultados; da mesma forma que o viajante, perdido nas sinuosidades do terreno pode, escalando a montanha, vê-las se fundir em um plano grandioso; assim a alma humana, da altura onde plana, longe dos ruídos da terra e longe dos baixios obscuros, descobre a harmonia universal. 
    Aquilo que, aqui em baixo, lhe parece contraditório, inexplicável e injusto, quando visto do alto, se reata, se aclara; as sinuosidades do caminho se endireitam; tudo se une, se encadeia; ao espírito, fascinado, aparece a ordem majestosa que regula o curso das existências e a marcha do universo.
    Dessas alturas iluminadas, a vida não é mais, para os nossos olhos, como é para os da multidão - uma vã perseguição de satisfações efêmeras - mas antes um meio de aperfeiçoamento intelectual, de elevação moral, uma escola onde se aprende a doçura, a paciência e o dever. 
    E essa vida, para ser eficaz, não pode ser isolada. Fora de seus limites, antes do nascimento e após a morte, vemos, em uma espécie de penumbra, desenrolar-se inúmeras existências através das quais, ao preço do trabalho e do sofrimento, conquistamos, peça por peça, retalho por retalho, o pouco de saber e de qualidades que possuímos; por elas igualmente conquistaremos o que nos falta: uma razão perfeita, uma ciência sem lacunas, um amor infinito por tudo que vive.
    A imortalidade se assemelha a uma cadeia sem fim e se desenrola para cada um de nós na imensidade dos tempos. 
    Cada existência é um elo que se religa, na frente e atrás, a elos distintos, a vidas diferentes, mas solidárias entre si. O presente é a consequência do passado e a preparação do futuro. De degrau em degrau, o ser se eleva e cresce.
    Artesã de seu próprio destino, a alma humana, livre e responsável, escolhe seu caminho e, se este caminho é mau, as quedas que advirão, as pedras e os espinhos que a dilacerarão, terão o efeito de desenvolver sua experiência e esclarecer sua razão nascente.
Leon Denis, O Porque da Vida
"Junte-se a nós neste ideal: divulgue o Espiritismo."

Escolha um Idioma