Pages

21 fevereiro, 2015

Oferta da esperança

Quando a tribulação te mostre a face
Por ferida pungente
Que viesse e ficasse, dentro de ti e em derredor,
Não te permita arrasar-te,
Recorda simplesmente.
Que o céu nos oferece, em qualquer parte,
Tão-somente o melhor.


Quando a prova te alcance, 
Na crítica mordaz que te magoa,
Que teu sonho se apure, cresça e avance
Na direção da Vida Superior;
 

Trabalha, serve e crê, eleva-te e perdoa,
Semeando alegria,
A relembrar que em cada novo dia,
A vida é um cântico de amor.

Pelo Espírito Maria Dolores, médium Chico Xavier 
"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

17 fevereiro, 2015

Recomecemos

FOTO - Steve Macurry

“Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho.” - Jesus (Mateus, 9 : 16.)
Não conserves lembranças amargas.
Viste o sonho desfeito. 
Escutaste a resposta de fel. 
Suportaste a deserção dos que mais amas. 
Fracassaste no empreendimento. 
Colheste abandono. 
Padeceste desilusão. 
Entretanto, recomeçar é benção na Lei de Deus... 
A possibilidade da espiga ressurge na sementeira.
A água, feita vapor, regressa da nuvem para a riqueza da fonte. 
Torna o calor da primavera, na primavera seguinte. 
Inflama-se o horizonte, cada manhã, com o fulgor do Sol, reformando o valor do dia. 
Janeiro a Janeiro, renova-se o ano, oferecendo novo ciclo ao trabalho. 
É como se tudo estivesse a dizer : Se quiseres, podes recomeçar “. Disse, porém, o Divino Amigo que ninguém aproveita remendo novo em pano velho. 
Desse modo, desfaze-te do imprestável. 
Desvencilha-te do inútil. 
Esquece os enganos que te assaltaram. 
Deita fora as aflições inúteis. 
Recomecemos, pois, qualquer esforço com firmeza, lembrando-nos, todavia, de que tudo volta, menos a oportunidade esquecida, que será sempre uma perda real... 
Emmanuel Do livro “Palavras de Vida Eterna”,  Francisco C. Xavier
 "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

10 fevereiro, 2015

Senhor que queres que eu faça?

Damasco, Síria - Palácio Azen

O tratamento médico convencional em busca da cura de uma enfermidade pode ser auxiliado por duas condicionantes: crer e querer.

Escorado na fé, aquele que busca o auxílio espiritual para a cura necessita consolidar uma nova aliança com Deus usando de pureza no coração e revigorada forma de viver, a fim de superar suas dificuldades íntimas.

Para refletir sobre esta renovação, vamos relembrar a história de dois personagens que, curados por Jesus, manifestam-se agradecidos perguntando: Senhor o que queres que eu faça?
A obra “Primícias do Reino”, o Espírito Amélia Rodrigues, na psicografia de Divaldo P. Franco, aprofunda a passagem evangélica de um homem com hanseníase (Marcos 1: 40 a 45) que, vendo Jesus de longe cercado por uma auréola de luz, sente-se tomado de intensa força interior e, de joelhos, suplica pela cura.

Sendo atendido por Jesus experimenta uma sensação de renovada vitalidade geral dos tecidos do corpo e reage em êxtase: “Senhor, que queres que eu faça?”

“Não digas a ninguém” é a resposta do Mestre em clara demonstração que o reino dos céus não se faria notar pelas atrações externas, pois que na Terra sempre houve homens e mulheres curadores, mas dar-se-ia pela demonstração de responsabilidade de cada um ao receber a dádiva e através do exemplo que anuncia sua renovação. “Sois o sal da terra... diluindo-se no repasto o sal se faz presente sem alarde e todos o podem identificar”.

Assim orienta ao homem que buscasse o reingresso à rotina da vida usando de respeito aos superiores e às regras de conduta estabelecidas, “... vai, mostra-te aos sacerdotes e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho”, referindo- se ao pagamento do tributo que representava seu reingresso aos estatutos dos homens.

Para Jesus, o cumprimento dos deveres civis representava uma maneira de elevar a autoestima daquele homem, após ter passado muitos anos no exílio. Porém curado retorna à cidade sem conseguir guardar silêncio. No caminho contava o prodígio de que fora objeto e assim fazendo conseguiu apenas aguçar a curiosidade e a intransigência dos judeus contra o Nazareno.

Enquanto isso, o Mestre reunido aos seus discípulos, esclarece como se ainda estivesse vendo o homem: “A cura mais importante não a experimentou: é aquela que não se restringe à forma, e sim, ao Espírito.

Lavada a morféia (a lepra), ele continua leproso. Acautelai-vos do contágio das misérias que os olhos não veem, mas que entenebrecem a razão e perturbam o coração...”

Exemplo oposto, encontramos na obra “Paulo e Estevão” da psicografia de Chico Xavier.

Conta-nos o autor espiritual Emmanuel que Saulo, orgulho rabino, perseguindo Ananias deparou-se nas estradas para Damasco com a visão deslumbrante de Jesus a lhe perguntar “Saulo porque me persegues?”.

A visão de intensa luz cega Paulo que atirado ao chão levanta-se iniciando sua renovação e pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?”.

Neste exemplo, mesmo o Cristo nada pedindo, o então cruel perseguidor dos cristãos recolhe-se por três anos no deserto para refletir sobre os passos que havia dado até então e se transforma em Paulo, o Apóstolo dos Gentios, a divulgar a Boa Nova por onde passou, com amor e muita coragem. Saulo já era um religioso que há muito buscava se religar ao Pai, entretanto seguia ensinamentos recebidos onde o predomínio de práticas externas não lhe preenchia o coração, ao contrário sentia-se ferido e injustiçado ao perder um grande afeto.

O contato amoroso do meigo Nazareno na estrada de Damasco, no entanto lhe envolve por inteiro e transforma sua vida, sem que aquele homem possa mais resistir às transformações emocionais.

Recebemos na casa espírita esclarecimentos sobre os ensinos de Jesus respaldados nas orientações dos espíritos; buscamos a cura dos males físicos e da alma através da aplicação do passe e da água fluidificada e, no recolhimento de nossas orações será preciso perguntar: Senhor, que queres que eu faça?

Não, o espírita não precisa fazer esta pergunta, pois sabe que o Espiritismo não se presta ao espetáculo, ao prodígio, mas que tem por finalidade instruir e reeducar o homem.

Todo esforço empreendido pela espiritualidade superior nos assistindo na solução das dificuldades que atraímos está na esperança de nos ver renovados e, por consequência, contribuir com a renovação da vida no planeta.
Por Maryane Medeiros

 "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

09 fevereiro, 2015

O tigre


O entrevistador ouvia as queixas do consulente, no serviço de atendimento fraterno, no Centro Espírita:
– O problema é a minha mulher. Mal-humorada, neurótica, agressiva, vive a tumultuar o ambiente do lar. Implica comigo, com os filhos, com a serviçal, com os vizinhos, com os cachorros… É um tormento!
– Meu amigo – ponderava o atendente – não seria razoável considerar a virtudes de sua esposa, deter-se nos aspectos positivos de seu comportamento, a favorecer o entendimento? Há um princípio de psicologia segundo o qual as pessoas comportam-se da maneira como as vemos. Identificar virtudes é uma forma de desenvolvê-las. Estar sempre apontando mazelas e imperfeições é a melhor maneira de exacerbá-las.
 

O consulente arregalou os olhos, surpreendido com aquela tentativa de conciliação em relação ao que lhe parecia inconciliável, e disparou:
– O senhor fala assim porque não conhece minha mulher. Duvido fosse esse o seu discurso se passasse uma semana com ela!
O entrevistador sorriu, paciente.
– Se a sua esposa fosse vitimada por grave enfermidade, o que o senhor faria? Criticaria sua condição? Exigiria que se curasse?
– Claro que não! Seria um criminoso se o fizesse. É a mãe de meus filhos e por sinal cuida muito bem deles.
– Ótimo. Assim considerando, já imaginou que sua esposa está enferma, com um tipo grave de doença?
– Como assim?
Doença da alma, meu amigo. Pessoas irascíveis, agressivas, têm a alma enferma. São mais carentes de auxílio do que a vítima de enfermidade física. Esta pede cuidados. O doente da alma pede mais que isso: paciência, tolerância, compreensão… Imagine um alienado mental a xingá-lo e maltratá-lo. Certamente você relevará, considerando sua insanidade. Por que não fazer o mesmo com sua esposa?
– Só há um detalhe. Minha mulher não é um doente mental. Sabe muito bem o que faz. Por isso irrito-me com ela.
– Sim, ela pode ter consciência de suas ações, porém não tem controle sobre suas emoções, incapaz de discernir, de conter seus impulsos. O tigre que ainda existe em nós, resíduo de estágios primitivos da animalidade, acorda com facilidade nela, levando-a a exercitar essa agressividade, uma insanidade momentânea, com a qual fere as pessoas do círculo familiar.
– É uma boa imagem. O problema é que, em se tratando de minha mulher, o tigre nunca dorme.
– Então trate de sedá-lo. Ninguém consegue ser agressivo o tempo todo, se durante todo o tempo convive com pessoas capazes de oferecer tranquilizantes como a serenidade e a brandura.
 

Diz André Luiz que quando as pessoas perdem o controle, deixando-se dominar pela cólera, descem a estágios primitivos de comportamento, liberando uma agressividade perigosa, capaz de produzir estragos, como um tigre feroz a movimentar-se em espaço livre. A mídia vive a destacar ações criminosas induzidas pelo tigre:
– O marido matou a esposa que o deixou.
– O assaltante fuzilou a vítima que reagiu ao assalto…
– O homem assassinou o motorista que provocou um acidente com seu carro...
– O grupo de pessoas linchou o criminoso…
– O filho apunhalou o pai…
– A esposa jogou ácido no marido…
– O aluno agrediu o professor…
 

Os exemplos são incontáveis, sempre envolvendo o tigre à solta. Uma perguntinha, amigo leitor:
– Por que metade dos casamentos acaba antes de completados sete anos?
Certamente você evocará vários motivos, envolvendo pouca afinidade, divergência de ideias, incompatibilidade de gênios, dificuldades financeiras e até interferência da sogra.
Esses e outros problemas estão apenas na periferia do furacão que destrói o casamento. O epicentro é o tigre que os cônjuges não conseguem manter adormecido. Quando ele acorda, marido e mulher falam e fazem o que é irreparável, acumulando tensões e ressentimentos que desembocam no divórcio.
 

Por isso, o melhor que podemos fazer, nos momentos em que os ânimos se exaltam no lar, será seguir o sábio conselho:
Orar muito e pedir a Deus, com todas as forças de nossa alma, que nos ajude a manter adormecido o tigre que mora em nós.
Por Richard Simonetti
"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

05 fevereiro, 2015

Trabalho e Vida


Antigo esmeril, rebolo, pedra de amolar
Todos estamos no trabalho que a vida nos confia. Cada qual de nós no lugar certo.
 

Dificuldades se espalham em todos os caminhos da Terra.
 

Imperfeições são comuns a nós todos.
 

Provações constituem patrimônio das lides comunitárias.
 

Sofrimento é o esmeril que nos assegura o aprimoramento íntimo.
 

Doença é fator de renovação, desengano é contato com a realidade.
Crise é o teste da fé que afirmamos possuir.
 

Atendamos às nossas obrigações, fazendo o melhor, porque dever é o ensinamento que se nos faz necessário a cada dia.
Nos momentos amargos, não desesperes.

Faze hoje todo o bem que possas, melhorando a ti mesmo, quanto se te
faça possível, mas não te esqueças de que na Misericórdia de Deus todos temos a luz da esperança, em luminoso amanhã.
Emmanuel - Do livro Luz e Vida

 "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

03 fevereiro, 2015

Querer e Poder


Quando você não possua o que deseja, você pode valorizar aquilo que tem.

Se não consegue obter a afeição daqueles a quem mais ama, não se esqueça de se dedicar aos que amam a você, especialmente quando necessitem de seu concurso.

Quando não se lhe faça possível criar a grande alegria que alguém lhe solicite, você pode doar a esse alguém o sorriso que menos lhe custa.

Se não dispõe de recursos para colaborar com o muito com que estimaria brindar a essa ou aquela realização de beneficência, oferte a migalha ao seu alcance.

O essencial não é o tamanho do bem que se queira e, sim, o tamanho do amor que você coloque no bem que se decida a fazer.

Pelo Espírito André Luiz, médium Chico Xavier

"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

27 janeiro, 2015

Servir em Silêncio


O discípulo do Senhor não é chamado tão somente ao curso verbal.

Aprendizado e aplicação constituem a realização.

Não te prendas, desse modo, à indagação que perde o valor do tempo.

Pensa e age ao padrão de idealismo redentor que abraçaste.

As sementes divinas devem frutificar em nossos próprios caminhos, através do esforço perseverante.

Na fase evolutiva que nos é própria, vemos aqueles que possuem a vida e os que são possuídos por ela.

Os primeiros aproveitam o dia, enriquecendo-se de valores permanentes, no rumo das aquisições eternas.

Os segundos são aproveitados pelas forças que orientam as horas, no jogo das circunstâncias fatais.

Uns criam luz e sabedoria.

Outros descansam e sofrem os conflitos da sombra.

Governando com as diretrizes superiores, convertem-se na instrumentalidade dos Celestes Desígnios.

Submetendo-se às causas de ordem inferior, perseguem a ociosidade, ainda mesmo quando o regalo inútil se lhes apresente aos olhos mortais com rotulagem fascinante.

Necessário se faz marcharmos, com desassombro e serenidade, dilatando a capacidade receptiva, à frente da Majestade Criadora.

O fenômeno nos círculos físicos e espirituais não têm outro objetivo senão acordar a mente para a revelação do Mais Alto.

Provar a divindade em nós – herdeiros da Grandeza Universal – é muito mais que positivar a sobrevivência, além da morte.

Guardar a bondade e o entendimento na direção do Amor Supremo vale mais que o poder de demonstrar a existência dos anjos.

O Reino do Senhor começará no indivíduo ou jamais se estabelecerá na Terra, porque Deus visita o homem e educa-o através do próprio homem.

O processo de auto-aprimoramento, na sublimação do raciocínio e do sentimento transforma-nos em servos da Lei Soberana e Compassiva, constituindo, em nossa esfera de edificações presentes, o ministério maior.

Espiritualizemo-nos, portanto, no caminho da perfeição e prossigamos com Jesus.

Não importa a incompreensão.

Cada criatura vê o horizonte que os próprios olhos podem abranger.

Quem ama não discute.

Serve em silêncio, semeia o bem à distância da preocupação de recompensa e segue adiante.

O trabalho cristão é a nossa alavanca renovadora.

Busquemos a Ciência, realizando a santidade.

Os dias escoam-se apressados.

As formas refundem-se, incessantemente.

A morte que modifica e seleciona, pune e corrige, atinge os próprios mundos.

Detendo o Tesouro do Conhecimento Divino, elevemos nosso coração aos santuários eternos.

Responsáveis pelas dívidas que criamos no passado, com a falsa aplicação das bênçãos recebidas, somos também candidatos à riqueza imperecível do futuro.

Situados entre os séculos que se foram e os milênios que virão, temos um diamante sublime a lapidar para o Supremo Senhor – nosso próprio coração, que dorme ainda no berço de aspirações primárias, bafejado pelos raios de luz celestes.

Aperfeiçoemos o caminho, aperfeiçoando-nos.

Trabalha e auxilia sempre, auxiliando a ti mesmo.

Unamo-nos espiritualmente, em derredor do Cristo.

Gravitemos, felizes, em torno d’Ele.

O sol comunica-se com o verme, a milhões de quilômetros. O Mestre sustentar-nos-á, igualmente, nas profundezas de nossa humildade, abençoando-nos os propósitos de ascensão, com a luz do Seu Inextinguível Amor 
Agostinho - Por Francisco Cândido Xavier
Livro: Doutrina e Aplicação
 "JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

25 janeiro, 2015

Ambição

El Salvador, distrito e ilha das Bahamas

Era noite.
O mentor Silvério Pires recomendou-me esperá-lo por instantes.
Em seguida, veio a mim explicando:
Augusto, temos serviço urgente. Venha comigo. Trata-se de um pedido de mãe devotada, em apoio de um filho enfermo.
Obedeci, de imediato, mesmo porque o orientador é um desses professores diletos a que nos vinculamos por afetuoso reconhecimento.
Alguns minutos voaram e atingimos um palacete de primorosa estrutura, cercado por jardins que brilhavam ao luar, dentro da noite.
Entramos.
O mentor parecia familiarizado com os mínimos recantos do solar, enriquecido de tapetes e telas raras.
Em aposento próximo, mobiliado segundo os hábitos portugueses do século XVIII, um homem, aparentando cinquenta janeiros, escrevia e escrevia...
Porque estacássemos, de repente, perguntei surpreso ao meu condutor:
- Onde está o doente?
O amigo fez um gesto de proteção, sobre a cabeça do

homem que me era desconhecido e acentuou:
- Este é o irmão Celestino que nos requisita assistência.
Fitei o desconhecido, da cabeça aos pés e não lhe notei qualquer anormalidade.
Entretanto, o mentor solicitou-me:
- Tome papel e lápis e copie a carta em andamento.Trata-se de um estudo que nos cabe fazer.
Sem vacilar, passei a escrever o texto que o desconhecido produzia à nossa frente.
Era uma carta que ele provavelmente endereçava a algum irmão distante, e assim dizia:

"Meu caro Aprígio:
Segure os cinquenta mil sacos de arroz no armazém número dois e aguardemos mais preço. Os dez mil litros de óleo para cozinha, mantenha você em estoque e os dois mil sacos de café em grão guarde no armazém quatro. Não venda bulhufas. Mais algumas semanas e estaremos numa boa. Tudo isso terá preços altos, nos próximos dias.
E olhe: Não dê migalha alguma a ninguém. Religiosos têm vindo aqui a me pedir socorro. Dizem que os tutelados deles estão em carência. Até freiras já vieram aqui com petitórios. Não atenda a ninguém se você for procurado. Esse negócio de religião e caridade já era. Um certo amigo chegou a me dizer que a minha fazenda pela qual suei tanto, pertence a Deus e a mim, que eu não passo de sócio. Eu queria que esse maluco visse os meus terrenos quando Deus estava aqui trabalhando sozinho. Era mato e cobras em toda parte. Fique tranquilo e nada de coração mole. Espero estar aí na próxima semana.
Até quinta-feira.
Um abraço do seu irmão
Celestino"

Celestino, pois esse era o nome de nosso anfitrião, colocou a caneta em lugar adequado e, logo após, levou a mão ao peito. Gemia. Afigurava-se-me que ele sentia muita dor.
Em dado momento, pressionou o botão de uma campainha e estirou-se em larga poltrona.
Um servidor apareceu.
Celestino pediu um coronário-dilatador e a presença do seu médico particular.
O cardiologista surgiu com presteza e determinou a remoção do doente para um hospital.
Pires sentenciou:
- Devemos acompanhá-lo. Esta é a última noite de nosso amigo na vida física.
Internado, Celestino estava submetido a minuciosos exames.
Silvério se dispôs à retirada e disse-me simplesmente;
- Veja você. Tanta ambição e dentro de poucas horas o nosso amigo estará desencarnado, sob a suspeita de enfarte. Amanhã viremos buscá-lo.
Nada mais acrescentou e eu fiquei a meditar sobre a lição recebida.

(Do livro "Fotos da Vida", pelo Espírito Augusto Cezar, Francisco Cândido Xavier) 
"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

24 janeiro, 2015

Prece - Deus de Misericórdia!

Afeganistão

Deus de Misericórdia!

Não nos permitas pedir para fazer aquilo que ainda não podemos, mas fortalece-nos para fazermos todo o bem de que sejamos capazes, principalmente em auxílio dos que ainda não podem compreender e trabalhar tanto quanto nós.

E, sobretudo, ó Pai de Infinita Sabedoria, quando viermos a sentir dificuldade para fazer o que podemos, faze-nos reconhecer que não nos confias tarefa superior às nossas forças e renovamos a certeza de que, se buscarmos estar contigo, nenhuma insuficiência nos abaterá, de vez que em teu amor tudo é possível.
Pelo Espírito Albino Teixeira - Do livro: Correio Fraterno, Médium: Francisco Cândido Xavier.
 
"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

04 janeiro, 2015

Interpretação da Parábola dos Talentos


Havendo subido com seus discípulos ao monte das Oliveiras, dias antes de ser crucificado, disse-lhes o Mestre: "O Senhor age como um homem que, tendo de fazer longa viagem fora do seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens.

Depois de dar cinco talentos a um; dois a outro e um a outro, segundo a sua capacidade, partiu imediatamente. Então, o que recebera cinco talentos foi-se, negociou com aquele dinheiro e ganhou outros cinco. O que recebera dois, da mesma sorte, ganhou outros dois; mas o que apenas recebera um, cavou na terra e aí escondeu o dinheiro de seu amo. Passado longo tempo, o senhor daqueles servos voltou e os chamou a. contas. Veio o que recebera cinco talentos e lhe apresentou outros cinco, dizendo. - Senhor, entregaste-me cinco talentos; aqui estão, além desses, mais cinco que lucrei. Respondeu-lhe o amo: - Bem está, servo bom e fiel, já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes. Entra no gozo de teu Senhor. O que recebera dois talentos, apresentou-se a seu turno e lhe disse: - Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão, além desses, dois outros que ganhei. E o amo: - Servidor bom e fiel, pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras. Compartilha da alegria do teu senhor. Veio em seguida o que recebera apenas um talento e disse: - Senhor, sei que és severo, que ceifas onde não semeaste e colhes de onde nada puseste, por isso, como tive medo de ti, escondi o teu talento na terra; eis, aqui tens o que é teu. O homem, porém, lhe respondeu: - Servidor mau e preguiçoso, se sabias que ceifo onde não semeei e que colho onde nada pus, devias pôr o meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, regressando, eu retirasse com juros o que me pertence. E prosseguiu: Tirem-lhe, pois, o talento que está com ele e deem-no ao que tem dez talentos, porquanto, dar-se-á a todos os que já têm e esses ficarão cumulados de bens. Quanto àquele que nada tem, tirar-se-lhe-á mesmo o que pareça ter; e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde haverá prantos e ranger de dentes" ( Mateus, 25 :14 a 30 ).

Tentemos a interpretação desta parábola. Está visto que o senhor, aí, é Deus; os servos somos nós, é a Humanidade; os talentos são os bens e recursos que a. Providência nos outorga para serem empregados em benefício. Próprio e no de nossos semelhantes; o tempo concedido para a sua movimentação é a existência terrena.
 

A distribuição de talentos em quantidades desiguais, ao contrário do que possa parecer, nada tem de arbitrária nem de injusta: baseia-se na capacidade de cada um, adquirida antes da presente encarnação, em outras jornadas evolutivas.
 

Os que recebem cinco talentos são espíritos já mais experimentados, mais vividos, que aqui reencarnam para missões de repercussão social; os que recebem dois, são destinados a tarefas mais restritas, de âmbito familiar; e os que recebem um não têm outra responsabilidade senão a de promoverem o progresso espiritual de si mesmos, mediante a aquisição de virtudes que lhes faltam.
Nota-se, aqui, a aplicação daquele outro ensino do Mestre: - "Muito será pedido a quem muito foi dado". Ao que recebeu cinco talentos, foi reclamados outros cinco; ao que recebeu dois, mais outros dois; e ao que recebeu um, a exigência foi de apenas um.
Os servos que fizeram que os talentos se multiplicassem representam os homens que sabem cumprir a vontade de Deus, empregando bem a fortuna, a cultura, o poder, a saúde ou os dons com que foram aquinhoados.
 

O servo que deixou improdutivo o talento, falhando na incumbência que lhe fora cometida, simboliza os homens que perdem as oportunidades ensejadas pela Providência para o seu adiantamento espiritual, oportunidades essas que lhes chegam através de uma enfermidade a ser sofrida com paciência, de um grande dissabor a ser recebido sem desespero, de um filho estróina ou rebelde a ser tratado com especial atenção e carinho, de uma injustiça a ser tolerada sem revolta, de um inimigo gratuito a ser conquistado com amor de uma deslealdade ou traição a ser suportada com largueza de ânimo, de uma condição adversa a ser superada com esforço e perseverança, etc.
 

Nesse terceiro servo vemos posto em relevo o mau vezo de certos homens, que, para encobrirem suas faltas ou justificarem suas fraquezas, não hesitam em atribuir deméritos puramente imaginários aos outros.
"Dar-se-á aos que já têm e esses ficarão acumulados de bens", significa que todo aquele que diligencia por corresponder à confiança do Senhor, receberá auxílio e proteção para que possa aumentar as virtudes que já possui.
 

"Ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece ter, e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes", quer dizer que, aquele que não se esforçar para acrescentar alguma coisa àquilo que recebeu da misericórdia divina, expiará, em futuras reencarnações de sofrimentos, a incúria, a preguiça, a má vontade de que deu provas, quando se verá privado até do pouco que teve, por empréstimo.
 

Agora, uma advertência:
Não sabemos quando o Senhor virá chamar-nos a contas.
Poderá tardar ainda, como poderá ser hoje ou amanhã.
Estamos preparados para isso? Temos feito bom uso dos "talentos" que Ele nos confiou? Como estamos empregando nosso tempo, nossa inteligência, nossa possibilidade de servir?
Façamos um exame de consciência e respondendo, depois, a nós mesmo. . .

"JUNTE-SE A NÓS NESTE IDEAL: DIVULGUE O ESPIRITISMO."

Escolha um Idioma